Vinhedos no antigo reino do Sião
05/03/2018
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Em Khao Yai, no vale Asoke, encontram-se os vinhedos da vinícola GranMonte

 

Após quatro viagens a Tailândia, fotografando sua linda cultura e as tradições seculares, chegou a vez de visitar vinícolas nesse encantador paraíso asiático

 

Textos e fotos
Johnny Mazzilli

Eu já havia experimentando duas vezes, anteriormente, vinhos tintos produzidos no país, e em todas as ocasiões os vinhos eram ruins e até mesmo intragáveis. Mas recebi recomendações que me afirmaram que sim, havia boas vinícolas no país e que seus vinhos eram bons. O ceticismo foi inevitável, mas decidi ir. A pergunta que não queria calar: como um país tropical de clima abrasador pode produzir bons vinhos? Não me refiro nem a vinhos de grande qualidade, e sim a vinhos corretamente elaborados e despretensiosos.

 
Na Tailândia, país de clima classificado como tropical úmido, são poucas as regiões de temperatura mais amena, que alternem dias de calor não muito intenso e noites frescas. Khao Yai é um destes lugares. Lá, na estação da seca, a paisagem árida e montanhosa contrasta com o verde intenso dos vinhedos irrigados da vinícola GranMonte, situada no fundo do Vale Asoke. Faz calor de dia, mas bem menos que as sufocantes temperaturas que rondam as áreas mais próximas da capital Bangkok, a aproximadamente 120 quilômetros de distância.

 

Uma onda de novas regiões vitivinícolas mostra que, com conhecimento e tecnologia, é possível fazer bons vinhos em lugares antes impensáveis.

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Colheita de Syrah na vinícola GranMonte

 

 

 

 

 

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A enóloga e proprietária da GranMonte, Nikki Lohitnavy

 

As noites em Khao Yai são um verdadeiro oásis, com temperaturas entre 20º e 16º C. Fundada há nove anos em um projeto que se iniciou há quase 20 anos, a vinícola, uma propriedade familiar com 40 hectares de vinhedos, produz quase 100.000 garrafas anuais, de 15 rótulos de vinhos brancos, rosés, tintos e um espumante, a partir de variedades como Syrah, Cabernet Sauvignon, Tempranillo, Grenache, Viogner, Verdelho, Chenin Blanc, Muscat, Semillon e Petit Syrah, (lá chamada de Durif), utilizando somente fermentação natural e leveduras nativas, sob a coordenação da jovem e competente enóloga Nikki Lohitnavy. Nikki é uma pessoa adorável e uma celebridade no mundo recente dos vinhos asiáticos, tendo recebido diversas premiações internacionais. Diversas revistas de vinho a exibem em suas capas. Em sua propriedade também são produzidas frutas secas, doces e uma série de produtos gastronômicos de grande qualidade, elaborados a partir de insumos naturais produzidos ao redor da vinícola por pequenos agricultores e artesãos.

 

 

 

 

 

 

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Todos muito bem feitos, os vinhos são muito frescos, com excelente acidez e predominantemente corpo leve e médio. São naturalmente de baixa complexidade e um ou outro apresenta-se um pouco duro, como é de se esperar em vinhos jovens e frescos produzidos em clima muito quente. Quase 50% da produção é de rótulos tintos. E, quem diria, a GranMonte exporta mais de 50% de seus vinhos para o Japão, Inglaterra, Austrália, França, Alemanha e Suíça.

 

 

Dentre os rótulos que experimentei, dois foram os de maior destaque: um espumante elaborado em método clássico com 100% de uvas Chenin Blanc e o surpreendente Orient Shiraz, um tinto de qualidade superior, produção limitada a 3.000 garrafas anuais e que recebeu vários prêmios internacionais. Esse vinho é elaborado a partir de uvas selecionadas de três vinhedos de baixo rendimento, plantados em solo de argila vermelha e boa drenagem.

 

 

 

 

 

 

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Colheita manual noturna na GranMonte, com temperaturas ao redor de 17ºC

A colheita manual acontece sempre durante a noite e se encerra antes do amanhecer, para preservar os aromas das uvas. Macerado longamente a baixa temperatura, o vinho estagia em barricas novas e de segundo uso de carvalhos francês e americano. É um vinho elegante, com aromas de cereja, ameixa, chocolate e especiarias. Na boca, é rico, aveludado, com taninos finos e notas de cedro e menta.

 

 

A vinícola tem ainda uma muito confortável guest house, com 10 quartos acolhedores, com um vinhedo que se esparrama logo abaixo das janelas dos quartos, e um acolhedor restaurante, o VinCotto, que serve deliciosos pratos da culinária típica do oeste da Tailândia, bem como clássicos internacionais, sempre harmonizados com os rótulos da vinícola. O restaurante é excelente, o que contribuiu para a Granmonte se tornar uma referência em enogastronomia na região do Khao Yai e Bangkok.

 

 

 

 

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GranMonte

Após visitar o Khao Yai National Park, em cuja borda se situa a GranMonte, subi para o norte da Tailândia, onde revisitei cidades históricas, como Chiang Mai, seu fantástico mercado Warorot, e Chiang Rai, esta última no mítico Triângulo Dourado, as margens do Rio Mekong, fronteira com o Laos e Myanmar, antiga região produtora de ópio. Em todo o país, é infindável a oferta de comida de rua em barracas que servem de tudo.

 

 

 

Após visitar o Khao Yai National Park, em cuja borda se situa a GranMonte, subi para o norte da Tailândia, onde revisitei cidades históricas, como Chiang Mai, seu fantástico mercado Warorot, e Chiang Rai, esta última no mítico Triângulo Dourado, as margens do Rio Mekong, fronteira com o Laos e Myanmar, antiga região produtora de ópio. Em todo o país, é infindável a oferta de comida de rua em barracas que servem de tudo.

 

 

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De volta às proximidades de Bangkok, tomei o rumo de Hua Hin, uma pequena cidade costeira. Lá, visitei a vinícola Hua Hin Hills, recentemente rebatizada de Monsoon Valley Vineyards, uma vinícola fundada em 2001 pelo empresário Chalerm Yoovidhya, um amante dos vinhos. Seus vinhedos estão localizados em colinas situadas geograficamente mais próximas à costa, onde o calor é severo e quase não dá tréguas.

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Passeio de elefante pelos vinhedos da vinícola Monsoon Valley (Hua Hin Hills)

 
A vinícola tem estrutura turística maior que a GranMonte, com bar, degustações, restaurante, jeep tours pelos vinhedos e outras atividades. É possível passear a bordo de elefantes, resgatados do trabalho escravo e que, hoje em dia, levam somente duas pessoas por vez para curtos passeios pelos vinhedos.

 

A Monsoon produz espumantes, brancos, rosés, tintos e até um vinho de sobremesa, a partir de uvas como Merlot, Shiraz, Sangiovese, Colombard, Viogner, White Malaga, Chenin e Muscat. Aqui, novamente me deparei com vinhos frescos e bem elaborados. De acordo com Kathrin Puff, enóloga chef da Monsoon Valley, “produzimos uma linha de bons vinhos, simples e despretensiosos, ideais para serem bebidos no dia a dia”. Destaque para o excelente branco Colombard, de grande frescor e acidez deliciosamente acentuada.

 

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Passeio pelos vinhedos na vinícola Monsoon Valley (Hua Hin Hills)

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Na volta a Bangkok, uma noite de relaxamento, vinhos e boa comida no Vertico Rooftop

Nas duas vinícolas, os vinhos passaram a percepção de uma boa relação custo benefício, com algumas exceções. Na GranMonte os vinhos são mais interessantes, não são baratos mas tampouco caros. Parecem ter um preço justo por sua qualidade. Em Monsoon Valley, comparativamente, alguns preços são irreais para vinhos simples do dia a dia. O governo tailandês taxa pesadamente a produção de bebidas alcoólicas, e os impostos, é claro, são repassados para os vinhos.
Deixei Hua Hin e voltei a Bangkok, curioso para conhecer novas vinícolas em novas regiões e conhecer um pouco mais sobre a jovem e promissora enologia tailandesa. Fica para a próxima viagem.

 

Info & By Yourself

Quem Leva
Kangaroo Tours – www.kangaroo.com.br

Onde ficar
Bangkok
Anantara Siam – www.siam-bangkok.anantara.com

Hua Hin
Anantara Hua Hin – www.huahin.anantara.com

Vinícolas
Granmonte, Khao Yai – www.granmonte.com
(é possível se hospedar na vinícola)

Hua Hin Hills – (Monsoon Valley),
Hua Hin – www.monsoonvalley.com

 

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