Comer arquitetura – Como viver experiências aliando espaço físico à gastronomia
14/02/2018

Melissa Bulla Baron

Preciso dividir um segredo com vocês! Quer conhecer uma cidade, de verdade, experimentar suas particularidades? Vá comer na praça. Sem preconceitos, pronto para experimentar e sem dar muita bola se fulano te disse que “isso é coisa de turista”. Vai te dar prazer, é uma experiência que te interessa? Então aposta, porque é com esse hábito que eu aprendo muito sobre arquitetura, modo de vida e sabores das cidades que visito.

 

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Gran Via – Madrid
Bem-vindos à Broadway espanhola. A rua é cheia de antigos cinemas e teatros, os dois primeiros edifícios altos da cidade foram construídos nela. Tem também muitas lojas de grifes e restaurantes. Mas o que provocou minha curiosidade foram as nada sofisticadas casas de “tapas” com suas formas bem características de expor os alimentos, em sua maior parte itens de charcutaria e frutos do mar, e com mesinhas na calçada. Uma delícia experimentar o jamon ibérico e observar tudo que acontecia ao meu redor. A barulheira característica dos espanhóis, gente comendo, carros passando, pedestres se batendo. Constatei in loco que na Espanha a frase “a noite é uma criança” ganha todo sentido, pois os agitos começam tarde e terminam cedo – da manhã seguinte.

 

DSC01639Piazza de la Rotonda – Roma
Turístico? Com certeza. Especial? Mais certo ainda. Nem lembro o gosto da comida, mas tomar um vinho em frente ao Pantheon, um templo romano construído em 118 D.C. e que ainda hoje (quase 2000 anos depois) ainda ostenta o título de construção com maior cúpula de concreto não armado do mundo é uma experiência mágica. Para e pensa tudo o que já deve ter se passado nesse lugar. Eu mesma estava me sentindo Audrey Hepburn em “A Princesa e o Plebeu” (tem uma cena do filme em que ela janta no mesmo lugar que eu estava!). Imperdível.

 

 

DSC02244Gran Place – Bruxelas
A praça, que em 1695 foi bombardeada pelos franceses e praticamente destruída, foi reconstruída no estilo da Renascença Flamenca e é hoje considerada uma das praças mais lindas do mundo. Recomendo uma paradinha para sentir a atmosfera do local e experimentar alguma cerveja – os cardápios são vastos, já que a Bélgica é especialista no assunto.

 

 

DSC02246Marienplatz – Munique
Já que falamos em cerveja, lembrei da praça de Munique. A praça é linda, e é nela que duas vezes ao dia, na torre do relógio, acontece o Glockenspiel – que é uma espécie de dança dos bonecos (um cuco infinitamente mais elaborado). Para entender como os hábitos por lá são bem diferentes, pela manhã as mesas logo lotam e o pessoal começa a tomar cerveja (em uma temperatura alta para nós, brasileiros) acompanhada de comidas típicas, como o joelho de porco. O negócio é relaxar. Como dizem por aí, uma vez na Alemanha, faça como os alemães. Prost.

 

Ainda vem muito por aí, temos muitas praças ainda para conhecer. Mas me contem, estão empolgados para explorar novos lugares? Se você tem alguma dica ou experiência legal para dividir vou adorar saber! Pode enviar por e-mail para santarotina2@gmail.com.

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