Guia Espumantes do Brasil
01/02/2018

champagneespumante

Mirian Spuldaro

 

É cada vez maior o número de apreciadores e consumidores dos espumantes elaborados no Brasil. Conforme dados do Cadastro Vinícola do Rio Grande do Sul, em 2016 foram comercializados 12,4 milhões de litros da bebida, ante 6,3 milhões em 2006. Os números evidenciam que a comercialização de espumantes finos no mercado interno mais do que dobrou em uma década. Esse aumento do consumo no Brasil está atrelado ao aumento da qualidade e, consequentemente, à notoriedade conquistada por muitos rótulos e empresas que se tornaram referência e que, inicialmente, forjaram uma identidade ao espumante nacional.
De forma geral, os rótulos feitos no país são elegantes, leves, fáceis de beber, com boa acidez, corpo leve e com muito frescor aromático e gustativo. Por legislação, os espumantes nacionais são classificados de acordo com o seu teor de açúcar, indo de nature a doce, a partir de dois métodos de elaboração, o Champenoise e o Charmat. Embora tal legislação não determine quais variedades de uvas podem ser utilizadas na elaboração de espumantes, com exceção das regulamentações estabelecidas na DO Vale dos Vinhedos e nas IPs Monte Belo, Pinto Bandeira e Apromontes, as mais utilizadas e que foram as precursoras desse processo de reconhecimento da qualidade do espumante brasileiro são Chardonnay, Pinot Noir e, eventualmente, Riesling Itálico.

 

A partir dessa notoriedade conquistada, muitos novos produtores surgiram, assim como novas formas de elaboração. Ao longo do tempo, diferentes variedades também foram sendo testadas. Hoje, é possível encontrar espumantes feitos a partir de uvas tintas pouco convencionais para esse fim, como Merlot e Cabernet Sauvignon, entre tantas outras.
Na opinião do pesquisador da Embrapa Uva e Vinho, Celito Guerra, que há mais de uma década estuda os vinhos das diferentes regiões vitivinícolas do Brasil, a identidade do espumante brasileiro, assim como de todo o setor vitivinícola do país, principalmente no seguimento dos vinhos finos, está em processo de construção. “A notoriedade do espumante brasileiro foi conquistada com espumantes produzidos 100% dentro da Serra Gaúcha, por um número restrito de elaboradores, mas com volume bastante apreciável. Surfando nesta onda, dezenas de outras empresas surgiram nas últimas décadas, em diferentes regiões produtoras, e passaram a elaborar espumantes”.

O pesquisador destaca que a característica que deu notoriedade aos espumantes elaborados na Serra Gaúcha ainda persiste e predomina. Todavia, considera que o conjunto de outros estilos ainda não nos deu uma ideia clara de que outras variantes de características teremos daqui para frente. “Ainda não vejo uma tipicidade que salte aos olhos nos espumantes das novas regiões produtoras. Cada região e produtor estão elaborando seus produtos segundo uma abordagem particular e específica, utilizando variedades tradicionais e não tradicionais. Porém, acredito que em um futuro próximo veremos surgir uma tipicidade regional em cada lugar”, pontua.
O presidente da Associação Brasileira de Enologia, Edegar Scortegagna, que também é enólogo da vinícola Luiz Argenta, de Flores da Cunha (RS), observa que ainda não existe uma diferenciação técnica que especifique todas as regiões produtoras do Brasil, mas acredita que o espumante brasileiro, de modo geral, possui uma identidade. “Quando se fala em identidade do espumante brasileiro, estamos falando em Serra Gaúcha, visto que concentra a maior produção. Se compararmos com qualquer outro espumante do mundo, é possível identificar o nosso pela sua acidez e frescor. Tem uma tipicidade que é única daqui. O espumante tem tudo para dar certo com o consumidor brasileiro, pois é vivo, festivo e alegre. Tem a cara do Brasil”, pontua.
O presidente do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) e enólogo chefe da vinícola Dal Pizzol, de Bento Gonçalves (RS), Dirceu Scottá, considera importante essa liberdade que o produtor brasileiro tem para testar variedades diferentes das tradicionais para a elaboração de espumantes. Contudo, frisa que a busca pela qualidade deve ser a premissa de qualquer empresa. “Que bom que temos essa oportunidade. Isso é importante para podermos testar outras castas, a adaptação e, quem sabe, descobrir outras que também possam render ótimos produtos. É preciso fazer espumantes jovens, frescos, fáceis de beber, descontraídos. Isso permite aproximar o vinho dos consumidores”, observa.
Atualmente, 61% da produção vitivinícola brasileira está localizada no Rio Grande do Sul. Conforme dados do Cadastro Vitícola (safra 2017), existem hoje no Estado 673 vinícolas. Destas, 231 têm foco na elaboração de vinhos finos e espumantes. Outras 30% localizam-se em Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Minas Gerais, Pernambuco e Bahia. As demais estão distribuídas por, pelo menos, outros seis estados.

 

Um Guia com 169 amostras

 

Em termos de qualidade, também está clara a evolução do espumante brasileiro. Esse quesito pôde ser avaliado na degustação de espumantes realizada pela Revista Bon Vivant no dia 10 de outubro. Foram enviadas 176 amostras, de 62 empresas, de cinco regiões produtoras (Serra Gaúcha, Campos de Cima da Serra, Campanha Gaúcha, Santa Catarina, Paraná e Vale do São Francisco). As amostras foram divididas em cinco categorias: Nature, Extra-brut, Brut, Demi-Sec e Prosecco. A degustação, às cegas, aconteceu na Escola de Gastronomia UCS/ICIF, em Flores da Cunha (RS) e reuniu 25 avaliadores, entre enólogos e sommeliers (veja os nomes abaixo). No total, 169 produtos obtiveram 85 pontos ou mais e compõem o tradicional ‘Guia Espumantes do Brasil’.
Os preços divulgados no Guia foram informados pelas próprias vinícolas e são os praticados nos varejos das mesmas.

 

Entenda os pontos: 95 a 100 (fabuloso); 90 a 94 (excelente);
87 a 89 (muito bom); 85 a 86 (bom)

 

Degustadores
André Gasperin (enólogo), André Peres Jr. (enólogo), Antonio Czarnobay (enólogo), Arlindo Menoncin (enólogo e sommelier), Celito Guerra (pesquisador da Embrapa, Uva e Vinho), Darci Dani (enólogo), Débora Kellermann Nazario (sommelier), Delto Garibaldi (enólogo – Laboratório Lavin), Diego Adami (jornalista especializado), Dirceu Scottá (enólogo e presidente do Instituto Brasileiro do Vinho – Ibravin), Edegar Scortegagna (enólogo e presidente da Associação Brasileira de Enologia – ABE), Fernanda Spinelli (enóloga), Janaína Massarotto (enóloga), João Carlos Taffarel (enólogo), Jylson Carvalho (sommelier – Boccati Loja de Vinhos), Luciano Vian (enólogo), Maria Cristina Sommer Valim (sommelier), Mateus Galiotto (sommelier), Mauricio Ceccon (VinumDay), Michel Zignani (enólogo), Renata Formolo (sommelier), Samuel Cervi (enólogo), Tomas Bolzan (enólogo), Vinícius de Miranda Santiago (sommelier) e José Venturini (enólogo).

 

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