O consumo de vinho pode aumentar o risco de câncer?
19/09/2017

Caroline Dani

 

Recentemente uma notícia surgiu na mídia a respeito do consumo de bebida alcoólica, reforçando a questão do vinho e risco de câncer, dentre eles o de mama. Essa notícia foi veiculada, principalmente, pela BBC e depois reproduzida por outras mídias nacionais. Esta informação foi veiculada pois o Instituto Americano para Pesquisa de Câncer (AICR) e Fundo Mundial para Pesquisa de Câncer (WCRF) publicaram, recentemente, um compêndio que apresenta os principais aspectos relacionados ao aparecimento do câncer de mama (http://www.wcrf.org/sites/default/files/CUP_BREAST_REPORT_2017_WEB.pdf). Esse documento está intitulado Dieta, nutrição, atividade física e câncer de mama. Nele fica evidente que o aparecimento desta doença depende de inúmeros fatores que predispõem ou protegem.
Dentre os estudos abordados neste compêndio está um publicado por Frydenberg e colaboradores na Breast Cancer Research em 2015, onde aparecem os seguintes resultados:

 
• Um aumento nos níveis de 17β-estradiol em mulheres que consomem mais do que 10g álcool por dia comparando com mulheres que consumiam menos de 10g álcool por dia. Após ajustes, consumidores de mais de 7 drinks por semana tem 5,08 vezes mais chance de ter densidade na mamografia do que os consumidores de 1 drink por semana (baixo consumo).
• Este estudo não fala em aumentar a chance de câncer de mama, e sim em elevar os índices de estradiol e de densidade mamográfica.
• Eles avaliaram 221 mulheres e o consumo de bebida foi avaliado por um questionário.
• Dentre os resultados eles apresentam que o alto consumo de vinho apresenta um aumento na densidade mamográfica de 2,5 vezes quando comparado aos com baixo consumo de vinho.
• Afirmam não haver associação entre o consumo de álcool, estrogênio salivar e densidade mamográfica percentual.
• Alto consumo de álcool no último ano resulta em um aumento de 5 vezes na densidade mamográfica quando comparado com as avaliações em mulheres com baixo consumo.
• Ainda assumem que esta presente hipótese tem algumas limitações, destacando a pequena amostra de pessoas avaliadas com fazem a estratificação, por exemplo, entre o tipo de bebida.
Outros estudos já publicados apresentam dados referentes ao consumo de álcool e risco de câncer de mama. Um estudo intitulado Alcohol consumption and mortality after breast cancer diagnosis: The health and functioning in women study, publicado na Breast Disease, em 2016, por um grupo norte-americano da Califórnia, buscou determinar a associação do consumo pré-diagnóstico de álcool com a mortalidade à longo prazo por câncer de mama e outras causas em uma coorte de mulheres com câncer de mama.

 

Nesse estudo foram avaliadas 939 mulheres com idade entre 40-84 anos. Durante uma mediana de seguimento de 11 anos, 724 mortes ocorreram globalmente, com 303 de câncer de mama. Cinqüenta e cinco por cento das mulheres foram categorizados como bebedores com volume de consumo de álcool variando de 0,75 a 36,00 drinks por semana. Em modelos multivariáveis, o menor risco de mortalidade por outras causas foi associado ao baixo e moderado consumo de álcool (0,75-3,75 drinks por semana).

 

Embora o risco de mortalidade específica de câncer de mama não tenha sido estatisticamente associado a um consumo moderado de álcool ou alto volume, houve uma associação positiva do consumo de álcool com a mortalidade específica de câncer de mama entre os fumantes atuais. Ou seja, este estudo de coorte prospectivo, o consumo regular de 0,75-36,00 bebidas alcoólicas por semana durante o ano anterior ao diagnóstico de câncer de mama foi associado com uma redução na mortalidade por outras causas e com um aumento na mortalidade específica de câncer de mama entre os fumantes atuais.

 

A redução no risco de morte por outras doenças em um bebedor moderado de vinho pode chegar em até 32%, sendo que para câncer de mama pode reduzir em até 25%. Com relação a outras bebidas alcóolicas, a redução na morte por outras doenças chega a 21% e de câncer de mamas, a 5% de proteção. Ou seja, neste estudo pode-se afirmar que o vinho tem um papel mais protetor que outras bebidas alcóolicas.

 
Outro estudo publicado por um grupo da China e publicado no Asian Pac J Cancer Prev. Em 2016, intitulado “Dose-Dependent Associations between Wine Drinking and Breast Cancer Risk – Meta-Analysis Findings” investigou o potencial efeito do consumo de cerveja e vinho no risco ao câncer de mama. Eles realizaram uma meta-análise, ou seja, uma avaliação de inúmeros trabalhos publicados em revistas internacionais de renome. Eles analisaram 26 estudos que envolveram aproximadamente 21 mil casos. O estudo demonstrou que o consumo de vinho pode estar associado ao câncer de mama, mas em alto consumo. Que o consumo de 5g de álcool por dia, por meio do vinho, tem um efeito protetor. Ou seja, eles concluem que o risco do consumo de vinho e câncer de mama obedece uma curva dose dependente, exercendo proteção em baixas doses.

 
Sendo assim, importante ressaltarmos que a associação do consumo de vinho e câncer, principalmente mama em mulheres, está associada a quantidade. Atualmente considera-se um consumo seguro aproximadamente 150 ml para mulheres e até 300 ml para homens. Desta forma, não só para o câncer mas sim para todas as demais patologias associadas ao alcóol devemos obedecer a quantidade segura.

 
Lembrando, ainda, que segundo a literatura, o consumo de suco de uva apresenta um papel protetor no aparecimento do câncer de mama e outros tipos de cânceres. Assim, recomenda-se o consumo moderado de vinho, associado ao consumo de suco de uva, o qual conferirá ainda mais proteção à nossa saúde.

Deixe um comentário