De Bordeaux para o mundo
31/07/2017

Corte Bordalês se tornou um dos mais famosos, além de um verdadeiro modelo para os blends à base de Cabernet Sauvignon e Merlot ao redor do mundo

 

Mirian Spuldaro e Fabiana Lavoratti

 

Hoje, Bordeaux, na França, é uma das mais aclamadas regiões vitivinícolas do mundo. Mais de 80% da produção vinícola da região é tinta e é inevitável a associação de seu nome com vinhos estruturados e elegantes, repletos de sabores e aromas complexos. O tinto bordalês é conhecido mundialmente por ser um vinho, essencialmente, de corte, ou seja, composto por mais de uma variedade vinífera. Por regulamentação, o tradicional corte bordalês permite o uso de seis variedades: Cabernet Sauvignon, Merlot, Cabernet Franc, Petit Verdot, Malbec e Carmenère. Cada uva desempenha seu papel na mistura, cujas proporções e protagonistas variam de acordo com a sub-região.
O sommelier, Vinícius De Miranda Santiago, explica que não existe um corte bordalês padrão. O objetivo da mistura é equilibrar as variedades Cabernet Sauvignon e Merlot e fazer um vinho com corpo, estrutura e potencial para envelhecimento, e que também seja agradável para se tomar, relativamente, jovem. “A base dos vinhos bordaleses, geralmente, é composta por Cabernet Sauvignon ou Merlot. A ideia do corte, principalmente em Bordeaux, é de um vinho equilibrar o outro. Enquanto o Cabernet Sauvignon irá conferir ao vinho muita estrutura, acidez, taninos e notas de frutas vermelhas e pimenta, o Merlot trará aromas frutados de ameixa, amora e de especiarias doces. Raramente um tinto bordalês tem como base a Cabernet Franc, com algumas exceções, como é o caso do Château Cheval Blanc. As demais castas, como Petit Verdot, Carmenère e Malbec, são usadas em menor quantidade, menos de 10% do vinho, para dar cor e um toque aromático”, observa.
Santiago destaca que, no caso do país de origem do corte, essa proporção depende das características de solo de Bordeaux, que é dividida em três sub-regiões: Margem Esquerda, Margem Direita e Entre-Deux-Mers (Entre Dois Mares). “Na Margem Esquerda, que possui solo pedregoso, que facilita a drenagem das águas, a uva Cabernet Sauvignon foi a que melhor se adaptou. Já na Margem Direita, composta por solo argilo-calcário, a Merlot é a estrela principal”, explica. Os vinhos brancos são elaborados, essencialmente, em Entre-Deux-Mers.
Por ser uma referência na elaboração de vinhos, Bordeaux viu seu estilo ser reproduzido em diversas regiões do mundo, inclusive no Brasil. Por aqui também se utiliza o corte bordalês para obter essa mesma complexidade, elegância e estrutura. “Esse é um corte que funciona, de maneira geral, no mundo inteiro. Todos querem se inspirar nos melhores terroirs do mundo. Muito por conta disso, diversos vinhos brasileiros ‘top de linha’ são corte bordalês ou foram inspirados nele, com base Cabernet Sauvignon e Merlot. As demais castas permitidas são pouco utilizadas por aqui, pois não temos uma produção expressiva”, explica o sommelier, que atesta a qualidade dos vinhos nacionais que utilizam esse corte. “Hoje temos grandes representantes desse estilo no país, principalmente os de base Merlot, no Vale dos Vinhedos (RS). Em Santa Catarina, em de São Joaquim, também temos vinhos bastante interessantes, que usam como base o Cabernet Sauvignon, misturado ao Merlot, o que tem dado muito certo. Ou seja, temos boas referências no mercado”, observa.
Pautada neste tema, a revista Bon Vivant convidou vinícolas nacionais e importadoras para enviarem amostras de vinhos feitos a partir do corte bordalês. Recebemos uma seleção de vinhos, de diferentes regiões vitivinícolas do Brasil, do Chile e de Bordeaux, na França. Reunimos um grupo de experts em vinhos, composto por enólogos e sommeliers, que avaliaram as amostras às cegas. No total, 23 rótulos receberam 85 pontos ou mais e foram publicados. O vinho mais pontuado é de Videira, em Santa Catarina. Outro da Serra Gaúcha e um terceiro da Campanha Gaúcha. Confira os resultados nas páginas a seguir.
*Os valores dos vinhos são de varejo e foram informados pelas vinícolas. A maioria delas possui loja virtual para compra dos rótulos.

Degustadores

A degustação foi realizada no dia 18 de abril, no Personal Royal Hotel (R. Garibaldi, 153 – Pio X), em Caxias do Sul. A partir deste ano, a Revista Bon Vivant criou um grupo fixo de degustadores. São 15 profissionais do setor do vinho que irão dividir seus conhecimentos conosco, sempre na intenção de auxiliar você, leitor, na prazerosa tarefa de selecionar seus rótulos preferidos. Confira os degustadores que participaram dessa edição.
Arlindo Menoncin, sommelier e enólogo – Granvin Loja de Vinhos; Daniel Salvador, enólogo; Edegar Scortegagna, enólogo; Fernanda Bebber Scopel, enóloga; Jamur Mascarello, enólogo; Janaína Mazzarotto, enóloga; João Carlos Taffarel, enólogo; Jylson Carvalho, sommelier – Boccati Vinhos; Luciano Vian, enólogo; Maria Cristina Sommer Valim, sommelier; Sandra Valduga Dutra, enóloga e Vinícius de Miranda Santiago, sommelier.

 

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