Os ‘Climats’ da Borgonha
07/01/2016

frança

Em 2015, a Unesco declarou a inclusão dos Climats da Borgonha na lista de bens universais da humanidade. Os climats são pequenas parcelas de vinhas, cultivadas desde a época romana e aprimoradas pelos monges, os quais ‘batizavam’ algumas destas vinhas, climat ou lieu-dit, com nomes específicos. São 1.247 climats reconhecidos e agora protegidos pela Unesco como representativos dos valores e cultura da região. A Borgonha é o berço do conceito de terroir, traduzido na expressão do vinho que é produzido nestas pequenas parcelas.

Das duas uvas estrelas da Borgonha, Pinot Noir e Chardonnay, são elaborados os vinhos franceses de valores mais elevados no mercado internacional, pois são representativos das condições climáticas e geológicas de onde são produzidos. O reconhecimento pela Unesco deverá impulsionar, ainda mais, o turismo e gerar mais interesse por parte dos consumidores dos vinhos feitos a partir das variedades mencionadas.

Os vinhos da Borgonha contam com uma classificação regional, outra de village, que podemos considerar como a área periférica de um município, na qual estão compreendidos a maior parte dos climats, alguns, elevados à categoria de Premier Cru, 585 no total. No topo desta classificação estão os vinhedos Grand Cru, 33 no total e que também são climats.

Os vinhedos da Côte d`Or, na Borgonha, são uma verdadeira colcha de retalhos de pequenas parcelas, cada qual com características próprias de solo, subsolo, exposição, topografia, capacidade de drenagem, entre outros itens que compõe o conceito de terroir. A única maneira de compreender estes complexos vinhedos é visitando a região. Para quem pretende visitar a Borgonha, procure evitar o mês de setembro e início de outubro, época da vindima em que muitos produtores não estão abertos a visitas. No período de Natal, a venda desses vinhos sofre forte alta, uma vez que os consumidores se ‘presenteiam’ com bebidas de melhor qualidade para a ceia.

Os vinhos de Chablis são os melhores para as ostras, um dos itens quase obrigatórios na Noite de Natal. Os vinhos a base de Pinot Noir de Nuits-St-George, Vosne-Romanée e Aloxe-Corton, são os meus favoritos para acompanhar cozidos de aves de longas horas, como um pot-au-feu, com toque leve de ervas como alecrim e louro. O mesmo vale para um típico pato (Canard) ou, ainda, para harmonizar com o clássico chester (Chapon de Nöel).

 

Por: Luiz André Batistello

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