Um copo de vinho no jantar equivale a 30 minutos de exercício. Verdade ou mentira?
05/01/2016

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Recentemente, submeti meu organismo a um desafio: participei da Winerun, em Bento Gonçalves. Amo correr, participei de inúmeras corridas, inclusive fui campeã da Maratona de Porto Alegre, em 2012, na modalidade octeto feminino, mas nada igual a essa prova. De fato, a prova é demais, começando por ser 21 km, a grade maioria do trajeto subidas íngremes.

Apesar do cansaço, e de não ter conseguido correr toda a prova, porque, acreditem, é “impossível”, ao final foi demais. Isso tudo porque o exercício físico provoca muito mais do que gasto calórico, promove uma sensação de bem-estar indescritível. Mas nem todos gostam de se exercitar e, aí, buscam inúmeros argumentos para não iniciar uma atividade física. Recentemente, muitos dos meus amigos, imagino que os que não gostam de exercício físico, têm compartilhado nas redes sociais resultados de uma pesquisa desenvolvida por uma Universidade do Canadá que parece resolver os seus problemas. O anúncio traz a seguinte chamada : “Um copo de vinho no jantar equivale a 30 minutos de exercício”. Seria isso realmente verdade? Poderíamos então não fazer exercícios e ter o mesmo benefício?

A resposta que eu preciso dar aqui: não é verdade. Felizmente, precisamos praticar exercícios, precisamos de uma vida saudável. Mas o que diz o artigo? O artigo publicado na FASEB Journal sugere que o resveratrol, composto presente no vinho tinto, pode prevenir efeitos negativos do sedentarismo. Os experimentos envolveram ratos que eram estimulados a perdas musculares (simulando o sedentarismo). Estes animais, quando receberam resveratrol, não desenvolveram resistência à insulina e não apresentaram perda mineral óssea, o que aconteceu com os animais que não receberam o resveratrol. Os autores do artigo afirmam que é consensual que o organismo humano precisa de atividade física. Entretanto, para alguns de nós, iniciar essa atividade não é tarefa fácil, principalmente para pessoas com barreiras físicas para tal. Sendo assim, eles reafirmam que o resveratrol, ou os derivados da uva que são ricos neste composto, não pode ser substituto para o exercício, mas pode auxiliar na redução dos danos provocados pelo sedentarismo, até que o indivíduo possa iniciar sua atividade novamente.

Apesar de parecer um “balde de água fria” para alguns que pensaram que podiam fugir para sempre da academia e ficar só tomando um bom vinho, posso afirmar que inúmeros artigos na literatura atual têm afirmado que os derivados da uva não substituem a prática de atividade física, mas sim auxiliam e potencializam a prática de atividade física. Esses artigos têm demonstrando que os derivados da uva podem melhorar a performance, reduzir danos e diminuir tempo de recuperação.

Agora retomo a história que contava no início: apesar dos 21 km da winerun, quilometragem nunca antes alcançada, e nem estar nem de perto “super” preparada, a recuperação foi inacreditável. E nesse caso eu sou minha própria cobaia. Antes e depois das minhas corridas, um copo de suco de uva é imprescindível, e posso dizer que já esqueci de tomar o suco de uva depois, e aí o corpo sofreu.

Para reforçar o quanto os derivados da uva podem auxiliar citarei alguns artigos que podem ser encontrados na literatura científica e que compravam o que citei acima. Com o titulo Effects of dietary antioxidants on training and performance in female runners publicado pelo European Journal of Sport Science, pesquisadores da University of Auckland, Auckland, New Zealand, demonstraram que 23 corredoras submetidas a treinamentos intensos por três semanas e que consumiram bebidas ricas em polifenóis apresentaram melhora na velocidade (1.9% no placedo e 92.5% no grupo que consumiu a bebida rica em polifenóis), ainda apresentaram todos os marcadores de danos oxidativos reduzidos, exemplificando os danos oxidativos a proteínas reduziram 938%.

Comprovando o dito acima, um grupo do Departamento de Nutrição Experimental da Universidade do Rio de Janeiro, publicou na Clinical Science, e recentemente apresentou no Globo Repórter seus resultados. Os autores observaram que triatletas que consumiram suco de uva, 300 ml/dia, durante 20 dias, apresentaram uma melhora no aproveitamento da glicose, bem como aumentaram a capacidade antioxidante, e sua função microvascular, auxiliando estes atletas na recuperação pós treino. Outro estudo, também com atletas de elite, conduzido por duas Instituição de Pesquisa, uma Francesa (Naturex SA, Site d’Agroparc, Avignon Cedex 9) e uma Americana (NAT’Life division, Naturex Inc, South Hackensack, NJ) e publicado no Journal of Sports Science and Medicine. Neste estudo atletas de diferentes esportes receberam um extrato de semente de uva por trinta dias, sendo que ao final do experimento estes atletas apresentaram uma melhor atividade antioxidante e uma melhora na performance durante o período de competição.

Corroborando, outro estudo com animais submetidos ao exercício físico e que receberam extratos de semente de uva, demonstrou que após seis semanas, estes animais apresentavam menos danos provocados pelos radicais livres, auxiliando também na recuperação pós exercício, este artigo foi publicado no British Journal of Nutrition. Ainda com animais, um grupo da Universidade de Santa Maria publicou no ano de 2013, no renomado periódico Canadense Applied Physiology, Nutrition, and Metabolism, avaliou ratos que foram submetidos ao exercício exaustivo, assim como foi a experiência da Winerun para mim, e que consumiram suco de uva, e os resultados indicaram que a ingesta do suco de uva foi capaz de proteger contra os danos oxidativos causados pelo exercício exaustivo, tanto no músculo como no cérebro.

E mais recentemente, ainda no mesmo jornal, uma pesquisa desenvolvida pelo Departamento de Nutrição da Universidade Federal da Paraíba demonstrou que o suco de uva tem importante papel ergogênico, ou seja, aumenta a capacidade para o trabalho corporal ou mental, especialmente pela eliminação de sintomas de fadiga, visando à melhora da performance (definição do dicionário). Neste estudo, 28 voluntários receberam suco de uva ou placebo durante 28 dias, e ao final deste período os autores observaram que o suco de uva promoveu um aumento no tempo de exaustão, melhorou a atividade antioxidante, aumentou os níveis de vitamina A, e reduziu os níveis de alguns marcadores inflamatórios quando comparado ao grupo placebo.

Sendo assim, podemos afirmar: um copo de vinho não substitui o exercício físico, mas vai, junto com outros derivados da uva, auxiliar na prática dele. Praticar atividade física faz bem para ao corpo, à alma, faz amigos, faz parceiros… enfim não há melhor comparação com o vinho, que também promove tudo isso. Então, o melhor é unir os dois, posso garantir que o coração, o corpo e a alma estarão bem satisfeitos.

Aproveitem, superem-se, o melhor da atividade física é sempre poder ter um novo objetivo. E que venha o próximo desafio… (CREDITO DA FOTO: Morgana Forti/Divulgação).

 

 

Por: Caroline Dani.  Possui doutorado em Biotecnologia pela Universidade de Caxias do Sul (2008). É professora titular do Centro Universitário Metodista IPA. É coordenadora do Programa de Pós Graduação em Biociências e Reabilitação. Defendeu sua dissertação e tese com base nos benefícios do suco de uva. Tem experiência na área de Nutrição, com ênfase em Bioquímica da Nutrição, atuando principalmente nos seguintes temas: suco, orgânico,convencional, polifenóis, antioxidante, suco de uva e estresse oxidativo e flavonóides. (caroline@sucodeuvadobrasil.com.br).

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